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A doutrina na igreja apostólica e na Igreja Adventista

A formulação de doutrinas é resultado do profundo estudo e compreensão da Bíblia.

Atos 2:42-47 apresenta um quadro impressionante e vívido da igreja apostólica; um raio X da primeira igreja:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos”.

A doutrina dos apóstolos

Uma leitura atenta revela pelo menos 14 aspectos distintivos ou marcas dessa comunidade. Chamo a sua atenção para o primeiro desses aspectos: Doutrina (verso 42). A palavra original é didache e se refere ao ensino. Esse vocábulo aponta para o fervor e a dedicação dos primeiros convertidos ao cristianismo em relação à Palavra. “Eles se voltavam para os apóstolos constantemente a fim de receberem instrução sobre o evangelho de Cristo, pois Jesus havia nomeado Seus seguidores imediatos para que fossem professores desses aprendizes (ver Mateus 28:20)”.[1]

Por que era importante perseverar na doutrina? A igreja apostólica praticava uma evangelização poderosa e eficaz; como resultado, muitas pessoas se juntavam à nova comunidade e isso levava a mudanças práticas, pois, embora as pessoas se tornassem propriedade de Jesus, sabiam pouco a respeito dEle.

O teólogo Werner de Boor relata de maneira impressionante a importância e necessidade da “doutrina dos apóstolos”:

Como [as pessoas] estavam ávidas para aprender mais, muito mais de Jesus! Não precisavam ser pressionadas para ler a Bíblia, se acotovelavam em torno do NT [Novo Testamento] vivo que estava diante deles nas pessoas dos apóstolos. Temos de imaginar agora o “ensino” dos apóstolos de acordo com o costume judaico, de forma bem escolar e justamente por isso satisfatório e abençoador. Os apóstolos não desenvolviam pensamentos teológicos e dogmáticos, mas relatavam “todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1:1), relatavam o que haviam vivenciado com Jesus e transmitiam os ditos, discursos e parábolas do Senhor. E os ouvintes gravavam tudo na memória, aprendendo-o de cor como pessoas acostumadas desde a infância a fixar na memória muita Bíblia. É dessa maneira que os evangelhos estavam vivos no coração e na memória de numerosas pessoas muito tempo antes que algo tenha sido escrito. Esse aprender e decorar, porém, não era “monótono”, mas abençoador. Como a pessoa era enriquecida quando absorvia cada vez mais desse Jesus, a quem ela pertencia com profunda gratidão, por ser o Salvador e Messias.[2]

Imaginemos, então, que os discípulos narravam o que haviam vivenciado com Jesus e transmitiam o que aprenderam com Ele: ensinos, discursos, parábolas e milagres. E os ouvintes assimilavam tudo.

As doutrinas na Igreja Adventista do Sétimo Dia

Assim como a Igreja Apostólica, a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) valoriza as doutrinas, e elas são o fundamento de sua fé e prática. A IASD formula suas doutrinas a partir de sólido estudo da Bíblia, e faz isso mediante longas pesquisas, trabalhando em comissões e contando com eruditos de todas as áreas da Teologia.

Por isso, precisamos prestar atenção quando uma pessoa se levanta em atitude crítica diante das doutrinas da IASD, que foram sistematizadas e aprovadas por diversas comissões. Não estou querendo dizer que, necessariamente, uma comissão esteja certa e, necessariamente, uma pessoa esteja equivocada. Mas estou sugerindo que é muito provável que uma comissão tenha mais acertos que uma única pessoa.

E por falar em comissões: O livro Nisto Cremos (o qual contém as 28 crenças da IASD) foi elaborado e aprovado por uma comissão, assim como o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (o qual contém um material que recapitula cuidadosamente os ensinos bíblicos que servem de base ao dinâmico movimento adventista).

Por outro lado, o Biblical Research Institute Committee (BRICOM) é uma comissão que analisa publicações oficiais do Instituto de Pesquisa Bíblica ou da sede mundial da Igreja Adventista, e é um órgão oficial da Associação Geral da IASD.

Tudo isso mostra que a IASD leva a sério as doutrinas, a exemplo da igreja apostólica. Afinal, as doutrinas são a base de uma vida correta e de ensinamentos corretos. E nunca é demais afirmar que a igreja cristã deve ser conhecida pela correção de sua prática e pela retidão de suas crenças.


Referências

[1] Kistemaker, S. (2016). Atos. (É. Mullis & N. B. da Silva, Trads.) (2a edição, Vol. 1, p. 148). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

[2] Boor, W. de. (2002). Comentário Esperança, Atos dos Apóstolos (p. 59). Curitiba: Editora Evangélica Esperança.

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