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O “complexo de Deus” determina que o fim está próximo

Milênios se passaram desde o Éden e ainda estamos chafurdando no mesmo problema. Entretanto, a distância do evento originário do pecado já é tamanha que nos esquecemos completamente dos porquês e estamos cada vez mais afundando em nosso próprio mal. Quero te mostrar nesse texto que estamos aumentando nossa aposta no pecado original nos tempos atuais. E isso nos mostra que o fim está próximo.

Como foi no começo, será o fim. Recapitule comigo a história humana até aqui. Fomos iniciados no pecado. Em seguida, foi-nos revelado o mal que isso significa, sofremos a consequência, prometemos nunca mais repetir e iniciou-se um processo de luta constante para correção do problema. Descobrimos que não poderíamos resolvê-lo, então Deus veio e proveu uma solução que não dependeria de nós: Sua morte e a distribuição da graça a todo aquele que crê.

Isso, porém, criou um ponto de bifurcação. Como a solução é facultativa, só aceita quem quer, e há sempre os que não querem. Esses optaram por continuar a jornada humana na Terra por seus próprios meios e caminhos. A maioria de nós, diga-se de passagem.

Como a história até aqui nos demonstrou, somos incapazes de nos consertar. E o efeito de buscar a solução por nossos próprios meios e caminhos apenas nos afunda mais em complexidades e maldades, como quem gira em círculos. Na verdade, descemos em espiral. Retornando lentamente ao ponto máximo do desgaste dessa tentativa inútil: o ponto onde começamos.

Entretanto, agora convencidos (nem todos) dessa incapacidade e tendo rejeitado por decisão própria a solução divina, só nos resta o orgulho de insistir no primeiro erro: queremos ser como Deus.

O pecado original traz luz aos dias de hoje

Muito se discutiu na história e na teologia sobre qual era o pecado original. Achamos por muitos séculos que o sexo foi a origem de todo o problema. Mas se olharmos o relato de Gênesis 3, veremos que ele claramente nos revela o problema. Quando Eva passou próximo demais da árvore proibida, foi convencida pela astúcia de uma serpente que o fruto contrariava as afirmações divinas: “Certamente não morrereis” (Gênesis 3:4).

Você consegue imaginar alguém que não conhecia o pecado ouvindo a sua primeira mentira? Foi o mesmo sentimento estranho e curioso de quando ouvimos histórias maldosas ou cruéis, uma espécie de interesse e medo misturados, que faz parecer que o clima mudou em nosso redor.

Eva também sentiu esse estranho interesse por aquela serpente que havia afirmado algo incorreto (o primeiro contato com o mal): “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). No afã de corrigir o erro, ela engajou com a serpente, para seu próprio infortúnio. Aliás, nosso infortúnio.

A serpente então afirmou o contrário do que Deus tinha dito. “Não morrereis” é mais do que uma informação errada, é uma afronta contra o Criador de todas as coisas. A criatura afirmou que o Ele não dizia a verdade. Mas a mentira nunca vem sem argumentos. A serpente, aproveitando a exibição de vida que dava a Eva ao falar com ela, afirmou que “no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:5).

Note que “abrir os olhos” é uma afirmação de empoderamento, o estado que aquela serpente exibia. Ela falava com astúcia, superando os outros animais. Ser conhecedor do bem e do mal é apenas uma característica de quem Deus era. O ponto central no pensamento hebraico é sempre mais importante. No sanduíche de palavras que a serpente usou, no centro está “sereis como Deus”. Perceba que essa mentira veio cercada por duas verdades. De fato, os olhos deles se abriram (Gênesis 3:7) e tornaram-se conhecedores do bem e do mal (Gênesis 3:22).

Naquele momento, surge o “eu” quando só havia um “nós”. Tínhamos sido criados à imagem e semelhança de um “nós”. Pensando somente em si, Eva decide que quer ser como Deus. O que isso significa na prática e como isso se manifestará no fim?

O problema persiste

Ser como Deus é desejar que todas os nossos desejos sejam atendidos. Uma expectativa de controle sobre a vida para obtenção de todos os nossos desejos. Quando a gente tenta ser como Deus, se coloca numa esperança, cria um desejo que é impossível de ser atendido. Impossível de ser manifestado.

Começamos a almejar por uma impossibilidade. Tanto somos assim que muitos de nós imaginam que o Céu será um lugar onde todos os nossos desejos serão realizados, enquanto essa nunca foi a promessa. Alguns, ao ler essa última frase que escrevi, estão estranhando. “E não vai ser?”, é a pergunta. Tomamos por certo que lá teremos tudo o que quisermos.

Todo desejo só é apaziguado quando é atendido ou resolvido. Sede só se resolve com água, fome com comida e sono com uma cama. Quando decidimos que queríamos ser como Deus, desejamos algo que determinou imediatamente nossa infelicidade. Porque uma expectativa não realizada é exatamente a definição de infelicidade. É querer ter uma coisa e nunca obter. E quando a gente decide querer ser como Deus, estamos perdidos, nunca seremos atendidos!

E querer ter os poderes divinos é o que todo mundo quer, mesmo que chamemos de outras coisas. Todo mundo quer realizar a sua própria vontade. Esse é o motivo dos conflitos e das guerras (Tiago 4:1). É claro que tanto Eva como qualquer ser humano normal não pensa em se sentar no trono do Universo e ser um novo Deus governando sobre tudo. Não é isso. Mas todos queremos ser como Ele. É sobre domínio, privilégios e realizações.

Veja o que isso faz: ninguém na história humana teve ou terá uma vida facilitada ou sem frustrações, exatamente porque ninguém consegue tudo. O fato de nós só conseguirmos pensar em felicidade se pudermos tudo, demonstra que a gente se conformou, moldou a ser a alguém que precisa ser Deus. Temos que ter tudo, conseguir tudo ou seremos frustrados e infelizes.

Logo, qual foi o problema da humanidade? Foi desejar aquilo que ela não é, desejar aquilo que ela não pode ter, querer mais do que nos foi dado. Eva se rebelou contra o Criador quando decidiu por si mesma não apenas romper e desafiar a Deus, como a comparar-se à Ele.

Por que isso demonstra o fim?

Essa é exatamente a entronização do homem comentada em Apocalipse 14 ao se referir ao infame número 666. O homem no centro da sua própria governança. O homem fazendo suas vontades, o seu querer. O que, em última instância, é querer ser Deus. Então, quando decidimos que queríamos ser Deus, nos “auto amaldiçoamos” para sempre com um sonho inalcançável. Todas as nossas histórias e vidas são difíceis porque nós estamos amaldiçoados pelo desejo de ter tudo e ser tudo. Sem romper com isso por meio de Cristo, estamos condenados a uma vida infeliz.

As vezes queremos coisas que só Deus pode querer, como, por exemplo, quando plantamos uma jabuticabeira e desejamos que ela desse seu fruto imediatamente. Esse impulso de impaciência humana exibe nossa capacidade por sentir falta de algo que jamais poderíamos obter. Anseios que existem fora de um sentido natural, desejos ilimitados.

Só faria sentido você ser impaciente com coisas que levam tempo se você tivesse a menor expectativa de conseguir agora algo que leva tempo. Mas isso nunca existiu, e ainda assim você sente. Ou seja, nossa carne pede para ser todo-poderosa. A impaciência é uma prova de que está escrito em nossa carne o desejo de ser como Deus.

Esquecemos que já fomos criados à “imagem e semelhança” de Deus. Já éramos como Ele antes do pecado. Por isso, não vivíamos para nós mesmos. Quando decidimos nos comportar como usurpadores, nos distanciamos de quem Ele é. Nunca fomos tão egoístas (palavra humana para definir quem vive para satisfazer a si mesmo), nunca fomos tão I Timóteo 4! Nunca fomos tão 666! E por isso lhes digo que estamos caminhando para os momentos finais da história, a experiência humana como a conhecemos está para acabar porque já estamos muito perto do exato ponto que partimos. O círculo terá feito a volta completa, chegaremos às consequências finais da decisão de Eva. E é nesse ponto que a Bíblia nos informa que Deus há de interferir.

Quando o ser humano assumir para si mesmo, em definitivo, a sua própria soberania, a voz do Espírito Santo será calada, e então virá o fim.

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