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ESTUDOS SOBRE SACRIFÍCIO DE CRISTO

O ABC da justificação

Conheça o real significado da morte de Cristo e da justiça que vem pela fé

A sociedade quer cada vez mais justiça. Porém, paradoxalmente, o mundo se torna cada vez mais injusto. O pior é que, no sentido mais profundo, não há nenhum justo (Rm 3:10). Todos foram pegos na “lava-jato” de Deus, inclusive você. Como resolver a questão? Antes de as sociedades pensarem em códigos de justiça, o Senhor já Se preocupava com o assunto.

Neste mês em que a morte de Cristo é celebrada, pautamos o tema da justificação pela fé para que você conheça as nuances desse conceito tão fundamental e que tem sido objeto de tanto debate. Vou destacar três aspectos que o ajudarão a entender melhor o ABC da justificação:

1. Do começo ao fim, justificação é 100% obra de Deus. Qualquer tentativa humana de autojustificação é uma fraude, ou, mais que isso, a usurpação do papel de Deus. Nenhum símbolo revela tão claramente a origem divina da justificação quanto a morte do cordeiro. Desde o primeiro ser humano, passando pela primeira Páscoa, até a cruz, o cordeiro sempre morreu para que as pessoas vivessem. Na cruz, o processo se “inverteu”, porque o ­símbolo encontrou a realidade: no exato momento em que Jesus, o Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1:29), bradou “Está consumado!” (19:30), a terra tremeu, o cutelo caiu da mão trêmula do sacerdote e o cordeiro do sacrifício no templo escapou (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 757). Portanto, justificação pela fé é o gracioso ato judicial pelo qual Deus, com base na morte substitutiva de Cristo, declara santo o pecador, inocente o culpado e justo o injusto que crê (Rm 4:5-6). Se o pecador morre pela falta de fé, o justo vive pela fé. Simples assim!

2. Justificação é um ato exterior que transforma o interior. Conceito forense, a justificação vem de fora, mas fornece a base legal para que Deus atue dentro de nós. O termo justificação não é sinônimo de santificação, mas também não é antônimo. As duas coisas estão interligadas. Justificação se refere a status; santificação, ao estado. Ambas vêm de Cristo, assim como a luz e o calor vêm do sol. Na perspectiva bíblica, você é justificado e vive pela fé que age por amor, já que o amor que age pela fé (fidelidade) levou o Filho de Deus a ser condenado e morrer por você. A justificação é o evangelho personificado por Jesus, apropriado pela fé e dinamizado pelo Espírito Santo. Você não é justo porque faz coisas boas, mas faz coisas boas porque foi justificado.

3. A justificação nasce de um gesto da graça, mas não é menos do que um ato cósmico de julgamento. No grande litígio (rib em hebraico; ver Sl 82; Is 3:13-17; Mq 6:1-8) do Universo, Deus é julgado pela Sua forma de julgar e justificado pela Sua maneira de justificar (Rm 3:26). O grande conflito é também um conflito jurídico. Isso equivale a dizer que a justificação é uma teodiceia. Deus julga para restaurar a ordem cósmica. A justificação é uma espécie de veredito escatológico antecipado. Embora Paulo tenha usado várias metáforas para explicar como Deus nos salva, o evangelho é o poder (dynamis) divino para a salvação da humanidade (Rm 1:16-17) porque, pela morte de Cristo, Deus adquiriu o direito de declarar justo o pecador e definir o que permanece e o que desaparece pela eternidade afora. E isso não é uma ficção jurídica.

Enfim, justificação é a alteração legal no arquivo que registra o passado, o presente e o futuro da sua vida. Por isso, aceite esse dom imerecido e louve o Justificador.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

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