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Como se Distinguem os 144.000

Por Gerard F. Hasel (RA, jan/77)

Quem são os 144.000 que aparecem no Apocalipse? Esta pergunta tem despertado a curiosidade tanto de leigos como de teólogos. João, o revelador, apresenta este grupo em Apoc. 7 e 14. No capítulo 7, ele vê os 144 mil quando são selados, e, no capítulo 14, vê-os sobre o Monte de Sião. Como leais seguidores de Cristo, ostentam certas características. Aparecem em contraste com os que têm o sinal da besta. (Apoc. 13:16 e 17).

Justo antes da consumação de todas as coisas, os seres humanos estarão divididos em dois grandes grupos. Cada um deles terá seu sinal identificador. O decidir a qual destes grupos vamos pertencer, é um assunto de vida ou morte, que devemos resolver aqui e agora. Deste modo, cada ser humano decidirá seu destino. A quem vamos manifestar lealdade? Que nome vamos ter? Que sinal ou selo vamos possuir? Que caminho vamos seguir?

Várias características importantes identificam os 144 mil que aparecem em Apocalipse 7 e 14. Em primeiro lugar, têm o nome do Cordeiro e o de Seu Pai escritos na fronte. (Apoc. 14:1). Em que se fundamenta a importância desse nome? De acordo com a Bíblia, há íntima relação entre uma pessoa e seu nome. Antigamente o nome representava a natureza e a personalidade de quem o possuía. Visto que os 144 mil levam o nome do Cordeiro e o de Seu Pai, devem, sem dúvida, participar da natureza e personalidade de ambos. São a imagem de Deus (Gên. 1:26 em diante) no mais amplo sentido da palavra.

Ao se considerar um novo nome, está implícito o fato de que quem o ostenta é propriedade de quem o confere. Além disso, implica também a adoção na família de Deus. Toda a pessoa que recebe esses nomes entra numa nova existência, experimenta, por assim dizer, uma mudança de proprietário, e vive sob a autoridade e proteção do Pai amante e de Seu Filho. (Deut. 28:10; Isa. 43:7; 63:19; 65:1; Dan. 9:18, 19). Estas são as vantagens da adoção.

O nome novo é escrito na “fronte” (Apoc. 14:1). Os neurologistas nos dizem que a parte anterior do cérebro, que se acha mais próximo da testa, encerra os centros do pensamento abstrato, da faculdade de raciocinar, da dedução e da lógica. Imagina-se que essa passagem menciona a “testa” por que é a parte do organismo em que se encontra o setor do cérebro onde ocorrem os processos chaves relativos ao pensamento e à razão. Se esta idéia for correta, é razoável pensar que os que levam este nome têm a verdade tão arraigada em seus pensamentos, como também a essência da natureza do Cordeiro e de Seu Pai, que não há teoria ou suposição, dificuldade ou perseguição, nada debaixo do céu que os pudesse apartar de sua fé e lealdade Àquele que os resgatou com Seu próprio sangue. Permanecerão firmes durante a angústia de Jacó. (Dan. 12:1-3). Sairão incólumes do grande dia da ira de Deus. (Apoc. 6:17). Estarão sob a proteção dAquele que é o Alfa e o ômega. (Apoc. 22:13).-

Redimidos Dentre os da Terra

Outra das características dos 144 mil é o fato de que são “redimidos” (Apoc. 14:3). A palavra traduzida “redimidos” em português, em grego é agorazo. Também poderia ser traduzida por “resgatados” ou “adquiridos”. Estes vocábulos foram bem escolhidos porque, em realidade, o Cordeiro pagou com Seu próprio sangue o preço do resgate do pecado e escravidão. (I Cor. 6:20; 7:23; II Ped. 2:1; Apoc. 5:9; 3:18; 13:17; 18:11).

Todavia, junto com a idéia de aquisição surge também o pensamento de separação do mundo. Por um lado, a aquisição dos redimidos é um ato de Deus, realizado por meio de Jesus Cristo, no qual o homem não tem parte alguma, nem mérito a invocar; por outro lado, é um ato de separação “dentre os da terra” (verso 3) e “dentre os homens” (verso 4).

Em contraste com a multidão assinalada com o nome ou o número da besta (Apoc. 13:17), os 144 mil recebem o selo de Deus na fronte. A pergunta que surge ao se chegar a este ponto, é que se cada pessoa que se inteira destes assuntos pode afirmar que foi adquirida por Deus mediante o sangue do Cordeiro. Cremos que o mero conhecimento não basta. Somente os que cumprem as provisões de Deus, que conduzem a salvação e Seu reino, isto é, o remanescente, poderão gozar a salvação. Este remanescente participará da glória eterna por ocasião da consumação de todas as coisas.

As enigmáticas palavras que aparecem em Apocalipse 14:4, onde se diz que estes resgatados “não se contaminaram com mulheres”, pois “são Virgens”, têm sido explicadas de diferentes maneiras. Devido à natureza simbólica do Apocalipse, pareceria prudente chegar à conclusão de que o fato de não se contaminarem com mulheres se refere à decisão de não participarem de práticas idólatras, que em profecia equivale a adultério e fornicação. (Apoc. 2:14, 15, 20-25; 17:1-7; Ezeq. 16: 1-58; 23:1-49). Os 144 mil não tiveram relações ilícitas com “a grande meretriz” (Apoc. 17:1), “a grande Babilônia, a mãe das prostitutas” (verso 5), nem com suas filhas, prostitutas também. Não há relação alguma entre o remanescente e os crentes nas religiões falsas simbolizadas pela mãe e pelas filhas da profecia.

Afirma-se que os 144 mil são “virgens”. A palavra grega da qual provém este termo não dá a idéia de que se trata só de mulheres. O vocábulo pode aplicar-se a ambos os sexos em grego, como também em português. São chamados “virgens” porque levam o sinal da pureza. São castos e têm-se mantido permanentemente incontaminados. Conservam uma fé pura. O fato de que não aceitaram nenhum tipo de relação ilícita com outros organismos religiosos, é um sinal de que têm alcançado êxito em manter-se fiéis em seu pacto com Deus. Só aceitam uma relação: a verdadeira relação de amor e fé com o Pai e com o Cordeiro, que os resgataram da escravidão do mundo e do pecado, adotando-os como filhos e filhas de Deus.

A observação de que “em suas bocas não se achou engano” (Apoc. 14:5), sugere que seu caráter foi examinado. O poder transformador do Cordeiro modificou profundamente estes seres pecaminosos, desonestos e sujeitos ao erro, que não se acha neles atitude enganosa, nem nada que tenha que ver com a desonestidade e a mentira.

Sem Mancha Diante de Deus

A razão por que não se encontra engano nesta última geração de fiéis, reside em seu caráter imaculado. “São sem mácula” (Apoc. 14:5). A palavra grega da qual foi traduzido “sem mancha” é ámomos. Também se pode traduzir por “sem falta”, “sem nódoa” e “sem falha”. Dá a idéia de algo imaculado, tanto no sentido moral como no religioso.

Era propósito de Deus que os membros da igreja cristã primitiva alcançassem esse nível. “Para que fôssemos santos e sem mácula diante dele” (Efés. 1:4), disse Paulo aos efésios. (Veja-se também Efés. 5:22). Os filipenses deveriam ser irrepreensíveis e sinceros” (Fil. 2:15). Afirma-se que Cristo queria apresentar ante o Pai os colossenses “santos e sem mácula e irrepreensíveis” (Col. 1: 22). Os que esperam novos céus e nova terra deveriam ser sem mácula e irrepreensíveis” (II Ped. 3:14). Noé, que viveu “conforme tudo o que Deus lhe ordenou,” (Gên. 6:22) foi declarado irrepreensível e aparece junto com sua família fiel como os únicos sobreviventes da destruição universal ocasionada pelo dilúvio. Noé e sua família constituíam’ o remanescente que sobreviveu por ocasião da primeira destruição do mundo, e por isso mesmo podem ser considerados como um símbolo do remanescente, isto é, dos 144 mil que sobreviverão à segunda destruição do mundo, que ocorrerá por ocasião da segunda vinda de Cristo.

Na nova Jerusalém celestial, cantarão “um cântico novo diante do trono” (Apoc. 14:3). Este cântico novo”, que só eles podem aprender, é o resultado do fato singular de fazerem parte do último grupo de fiéis que passará pela terrível tribulação que constituirá o tempo de angústia de Jacó, para ser testemunhas do regresso de Seu amado e esperado Senhor.

Quem são os 144 mil a que se refere o Apocalipse? A resposta a esta pergunta encontramos em Apoc. 7 e 14. Os 144 mil são seres humanos que constituem o último remanescente fiel. São identificados: 1) por terem o nome do Cordeiro e de Seu Pai escrito na fronte (Apoc. 14:1); 2) por terem sido resgatados dentre os da Terra (versos 3 e 4); 3) por se haverem mantido incontaminados de relações ilícitas com outras organizações religiosas (verso 4); 4) porque possuem sinal de pureza (verso 4); 5) por levarem o sinal da veracidade (verso 5); 6) por levarem o sinal da pureza tanto moral como religiosa (verso 5); e 7) por seguirem o Cordeiro por onde quer que vá (verso 4).

A pergunta: “quem são?” refere-se a nós. Não basta conhecermos os sinais de identificação. Muito mais importante que isto é saber se ostentamos ou não esses sinais. Vivemos em íntima comunhão com nosso Senhor, dia após dia, de tal sorte que nossa condição moral e religiosa reflita o Deus Altíssimo? Se assim não for, a mensagem dos 144 mil nos convida a obter essa consagração para que possamos experimentar então o começo da vida eterna, de maneira que possamos passar da morte para a vida (I João 3:14; .2 João 5:24; Efés. 2:1), e possamos contar-nos entre os 144 mil.

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