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O mistério do amor que redime

A Bíblia mostra que não há graça sem justiça e que ambas coexistem no caráter de Deus. Satanás tentou separar a graça e a justiça de Deus para descaracterizar sua identidade.

Intercedendo a Deus por si mesmo e o povo, o salmista em adoração e fé antecipou a resposta: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10, Almeida Revista e Corrigida). O objetivo deste artigo é apresentar essa perfeita união da graça com a verdade, e o beijo da justiça e a paz no caráter de Deus. As Escrituras revelam que “o Senhor é justo; Ele ama a justiça” (Salmos 11:7). E que Ele “tem prazer na misericórdia” (Miquéias 7:18). Em toda a Bíblia, Deus é apresentado como um Ser de “misericórdia e benignidade”, e de “rigorosa e imparcial justiça”.

Quando não percebemos a sintonia perfeita entre estes atributos no caráter de Deus, interpretaremos Seus atos na história de forma unilateral, seja à luz de Sua justiça ou da Sua misericórdia (Deuteronômio 7:1-11; Jonas 4:2, 3; Lucas 7:39). Ver o Senhor como um Deus de misericórdia, sem levar em conta Sua justiça, nos levará a responsabiliza-Lo como causador do caos universal. E ao considerarmos Deus promovendo apenas Sua “rigorosa e imparcial justiça” alienada da paz e misericórdia, o veremos como um Ser frio, insensível e causador de mágoas.

Sua Revelação escrita, as Santas Escrituras (2 Timóteo 3:16, 17; 2 Pedro 1:19-21), integra maravilhosa e perfeitamente a misericórdia e justiça no Seu caráter, e em tudo o que faz (Êxodo 20:5, 6; João 8:11). Ele “é a fonte de justiça, misericórdia e verdade”.[iv]

NEle “a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10, Almeida Revista e Corrigida). Este mistério é compreendido no contexto do evangelho eterno, “coisas essas que anjos anelam perscrutar” (Apocalipse 14:6; Romanos 16:25; 1 Pedro 1:12). Como Ellen White considerou este tema? “O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema para que “os anjos desejam bem atentar”, e será seu estudo através dos séculos sem fim”.[v]

O “mistério do amor que redime”, no arco-íris e no trono de Deus

Admiramos a beleza do arco-íris, mas a maior maravilha é o que ele representa: o beijo da justiça e a misericórdia no trono de Deus, e em Seu governo (Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 4:1-3), pois “justiça e misericórdia são os atributos de Seu trono. Ele é um Deus de amor, de piedade e de terna compaixão”.[vi] Lúcifer tentou perverter o trono de Deus (Isaías 14:13, 14).Como “querubim da guarda ungido” conheceu o caráter divino de justiça e bondade, e Seu refulgente trono circundado pelo arco-íris da Sua glória (Ezequiel 28:14; Êxodo 25:18-20). Desde sua criação era “perfeito em seus caminhos”, até se achar nele “iniquidade” (verso 15), “orgulho” e “corrupção” (Ezequiel 28:17).

Lúcifer estabeleceu um trono rival (Isaías 14:13), pois, por meio de mentiras pretendia administrar o Universo melhor que Seu Criador (Ezequiel 28:18). Foi o primeiro antinomianista a rebelar-se contra a Lei de Deus, pois “vive pecando desde o princípio” (1 João 3:4, 8).  Finalmente expulso do Céu (João 18:44; Ezequiel 28:16; Apocalipse 12:7-9), com ódio e engano consumados, levou nossos pais ao pecado estabelecendo pretenso domínio sobre a Terra (Gênesis 3:1-8; Lucas 4:6, 7). Sua estratégia era “divorciar a misericórdia da verdade e da justiça”.[vii] Como acusador, e presumida vítima, atacou a essência do caráter de Deus, a união de Sua justiça e misericórdia (João 8:44; Apocalipse 12:10). “Mas no plano divino, elas estão indissoluvelmente unidas; uma não pode existir sem a outra. “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10).[viii] Estrategicamente, “levantava extremamente o prato da justiça divina” para pisar abaixo em outra extremidade, o “prato da misericórdia”.

“Satanás levou o homem a imaginar Deus como um Ser cujo principal atributo fosse a justiça severa – um rigoroso juiz, e credor exigente e cruel”.[ix] Assim, atacava tanto a justiça como a misericórdia de Deus, expondo-O de modo distorcido e perverso. O resultado foi “rebelião, trevas e miséria”.[x] Multidões passaram a odiar a Deus, amar o pecado, e desprezar Seus apelos para arrependimento e salvação, até que Ele fez um “ato estranho” (Isaías 28:21) destruindo-os pelo Dilúvio (Gênesis 6:1-5; 11-13; Mateus 24:39; 2 Pedro 3:6). Mas o arco-íris que circunda o trono de Deus, cujo símbolo aparece nas nuvens é “um sinal da divina misericórdia e bondade para com o homem; que, embora Deus tenha sido provocado a destruir a Terra pelo dilúvio, ainda Sua misericórdia circunda a Terra”.[xi] Seu trono circundado pelo arco-íris é “o penhor do cumprimento de Sua Palavra”.[xii]

Mais que isso, “o arco-íris da promessa, circundando o trono de Deus no alto, é um perpétuo testemunho de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).[xiii] Somente pela graça de Deus, Noé e sua família foram salvos da destruição (Gênesis 6:8; 1 Pedro 3:18-21; 2 Pedro 2:5), porque Deus é amor (1 João 4:8). “O amor de Deus tem-se expressado tanto em Sua justiça como em Sua misericórdia. A justiça é o fundamento de Seu trono, e o fruto de Seu amor”.[xiv] Ao olharmos o arco-íris nas nuvens, lembremos que: “Assim como o arco nas nuvens é formado pela união da luz solar e da chuva, assim o arco-íris que circunda o trono representa o poder conjunto da misericórdia e justiça”.[xv] “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10, Almeida Revista e Corrigida).

O “mistério do amor que redime” no propiciatório cobrindo a arca do concerto

Ao Moisés construir o tabernáculo, sob a ordem de Deus preparou a arca do concerto. E nela colocou as tábuas da santa Lei dos Dez Mandamentos, a Sua aliança, escrita pelo próprio Deus (Êxodo 25:10-16; 31:18; Deuteronômio 4:13; 5:22; 10:2-5). Foi ordenado a Moisés também preparar o propiciatório, e colocá-lo como cobertura em cima da arca (Êxodo 25:17-19, 21; Hebreus 9:4,5). “Assim se representa a união da justiça com a misericórdia no plano da redenção humana. Somente a sabedoria infinita poderia conceber esta união, e o poder infinito realizá-la; é uma união que enche o Céu todo de admiração e adoração”.[xvi] E Deus também ordenou a Moisés preparar dois anjos querubins de ouro. Estes deveriam ser colocados nas duas extremidades do propiciatório, com as asas estendidas “por cima, cobrindo com elas o propiciatório” de “faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório” (Êxodo 25:18- 20; Hebreus 9:5).

“Os querubins do santuário terrestre, olhando reverentemente para o propiciatório, representam o interesse com que a hoste celestial contempla a obra da redenção. Este é o mistério da misericórdia a que os anjos desejam atentar”[xvii]. A abertura do santíssimo do santuário celestial, na visão da arca do concerto em Apocalipse 11:19, implica essencialmente na centralidade do “mistério do amor que redime” no grande conflito entre Cristo e Satanás. E singularmente, revela o grande interesse dos anjos de Deus não apenas para estudar, mas proclamar o “evangelho eterno” a todos os habitantes da Terra, para conhecerem e aceitarem “o precioso amor que redime” (Apocalipse 14:6-12). “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10, Almeida Revista e Corrigida).

O “mistério do amor que redime” na cruz do Calvário

Foi na cruz que “o príncipe deste mundo foi expulso, e todos atraídos ao Salvador”, porque Jesus veio para “destruir as obras do Diabo” (João 12:31-32; Apocalipse 12:10-11; 1 João 3:8). “Por Sua vida e morte, provou Cristo que a justiça divina não destrói a misericórdia, mas que o pecado pode ser perdoado, e que a lei é justa, sendo possível obedecer-lhe perfeitamente. As acusações de Satanás foram refutadas”[xviii]. Pela morte de Cristo na cruz, Deus pode “ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:26; Isaías 53:5). “Os seres remidos e os não caídos encontrarão na cruz de Cristo sua ciência e seu cântico.[xix] “Quando estudamos o caráter divino sob o aspecto da cruz, vemos misericórdia, ternura e perdão mesclados com equidade e justiça. Exclamamos na linguagem de João: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 João 3:1).[xx]

Portanto, “Cristo na cruz foi o meio pelo qual a misericórdia e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram. Este é o meio de mover o mundo”[xxi]. A propósito, “os seres remidos e os não caídos encontrarão na cruz de Cristo sua ciência e seu cântico[xxii]. Logo, “aqui deve começar o estudo que será a ciência e o cântico dos remidos através da eternidade”[xxiii]. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2:3), pois “a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85:10, Almeida Revista e Corrigida).


Referências:

[i]Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009. A seguir, ARC.

[ii]WHITE, Ellen G. The Signs of the Times, 24 de março de 1881.

[iii]Bíblia de Estudo Andrews. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015, p. 762.

[iv]WHITE, Ellen G. Atos dos apóstolos. 9ª ed., Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 507.

[v]_______. O Desejado de Todas as Nações. 22ª ed., Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 19. A seguir: O Desejado de Todas as Nações.

[vi]_______. Testemunhos para a igreja. 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, v. 5, p. 174.

[vii]_______. O Desejado de Todas as Nações, p. 762.

[viii]Ibidem.

[ix]_______. Caminho a Cristo. 1ª ed., Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015, p. 10.

[x]_______. O Desejado de Todas as Nações, p. 22.

[xi]_______. História da redenção. 11ª ed. 2013, p. 71.

[xii]_______. Parábolas de Jesus. 15ª ed., Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 148.

[xiii]_______. A Ciência do bom viver, 10ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 94.

[xiv]_______. O Desejado de Todas as Nações, p. 762.

[xv]_______. Review and Herald, 13 de dezembro de 1892.

[xvi]_______. Cristo em seu santuário, p. 90.

[xvii]Ibidem.

[xviii]WHITE, Ellen G. O Desejado de Todas as Nações. p. 762.

[xix]Ibidem, p. 20.

[xx]WHITE, Ellen G. Exaltai-O. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, MM 1992, p. 250.

[xxi]_______. Filhos e filhas de Deus. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, MM 1956, p. 243.

[xxii]_______. O Desejado de Todas as Nações, p. 20.

[xxiii]_______. Paulo: o apóstolo da fé e da coragem. Campinas, SP: Certeza Editorial, 2004, p. 128.

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