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Carta de amor para Esmirna – parte III

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Como a fidelidade do povo cristão serve como testemunho de fé para os dias de hoje. Os antigos cristãos se firmaram nas promessas de Cristo e mantiveram a fé mesmo diante da perseguição.

Caro leitor, este artigo é o terceiro e último de uma série sobre a carta à igreja de Esmirna. Nele, veremos a exortação e a promessa que Jesus fez aos crentes daquela cidade. Para lembrar o contexto histórico, a apresentação cristológica de Jesus, a avaliação que Ele fez da igreja e os fatos proféticos no desenrolar da história humana.

Exortação

“Conheço a tribulação pela qual você está passando, a sua pobreza – embora você seja rico – e a blasfêmia dos que se declaram judeus e não são, sendo, isto sim, sinagoga de Satanás. Não tenha medo das coisas que você vai sofrer. Eis que o diabo está para lançar alguns de vocês na prisão, para que vocês sejam postos à prova, e passem por uma tribulação de dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (Apocalipse 2:9-10).

Seguindo o mesmo princípio de uma aplicação profética que se desenrola no percurso da história e com base na interpretação dia/ano que há na Bíblia, em que cada dia na profecia equivale a um ano literal, entende-se que esses dez dias podem ter um cumprimento real na história de dez anos.

Em meados do terceiro século, o imperador Sétimo Severo deu início a uma política religiosa de caráter sincretista que viria a piorar anos mais tarde, sob o comando de Décio. Por volta de 249 d.C., Décio desejava reavivar os velhos costumes do culto pagão. Por isso, reacendeu as chamas da perseguição à igreja. “A perseguição de Décio não durou muito. Em 251, Galo sucedeu a Décio, e a perseguição diminuiu. Seis anos mais tarde, sob Valeriano, antigo companheiro de Décio, houve nova perseguição, mas, quando em 260 d.C., os persas fizeram Valeriano prisioneiro, a igreja desfrutou novamente de uma paz que durou mais de quarenta anos”.[1]

Depois deste período, floresceu uma nova e grande perseguição aos cristãos, de 303 a 313 d.C. Quem estava no poder do império romano era Diocleciano. O conflito iniciou porque muitos crentes não queriam servir ao exército, e os que serviam rejeitavam os cultos pagãos. Promulgado um novo edito, edifícios e livros sagrados foram destruídos, e os cristãos, privados de sua dignidade e seus direitos civis. Nessa mesma época, ocorreram dois incêndios misteriosos no palácio. O vice imperador Galério acusou os cristãos de terem provocado o fogo, o que aumentou ainda mais a perseguição. O imperador emitiu um decreto que obrigava a todos a oferecerem sacrifício diante dos ídolos, dando origem a uma das mais cruéis perseguições sofridas pelos cristãos. Estes eram severamente torturados e, em seguida, executados. Essa violência só veio a cessar após a promulgação do Edito de Milão, por Constantino, em 313 d.C.

As palavras de Jesus para a igreja de Esmirna eram: “Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10). Em consonância, Ele também disse: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mateus 10:28). Muitos cristãos se agarraram a essas palavras e obedeceram o Mestre até o martírio. Mesmo diante da fogueira, da forca ou da espada, eles se lembravam da promessa da coroa da vida. E, apenas reforçando, a palavra “coroa” em Apocalipse 2:10 se refere a uma guirlanda de folhas ou flores que era dada aos atletas nos jogos olímpicos antigos, como símbolo da vitória alcançada.

Cristo cumprirá a Sua promessa a todo aquele que perseverar até o fim (Mateus 24:12). O chamado ao cristão é para a fidelidade, mesmo diante da morte certa. Devemos nos lembrar de que é nos momentos de crise que o caráter é revelado. Por isso, na Bíblia está escrito: “Bem-aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação, porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tiago 1:12).

Promessa

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: o vencedor de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” (Apocalipse 2:11). É verdade que “nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Tragada foi a morte pela vitória.” “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:51–57).

Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!


João Renato Alves da Silva é pastor distrital em Cuiabá, Mato Grosso. Formado em Teologia, é pós-graduado em Interpretação e Ensino das Escrituras pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia da Bahia.

Referências:

[1] GONZÁLEZ, Justo L. História ilustrada do cristianismo: a era dos mártires até a era dos sonhos frustrados. Tradução de Hans Udo. 2ª edição, São Paulo: Vida Nova, 2011, p. 90.

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